tupinabentô (2017)

tupinabentô

2017. Uma experiência culinária para o Sarau da Casateliê, Bela Vista, São Paulo.

em que medida a forma como consumimos se relaciona com o modo como percebemos e agimos no mundo?

Um convite da vizinha de quintal, Casateliê: propor alguma experiência sensível com comida para o Sarau #2 que ocorreria dali a duas semanas, logo após o feriado de Carnaval.

Havia na época uma discussão interminável sobre quem poderia comer o quê de quem, quem poderia usar turbante de quem, quem poderia falar por quem. Olhei para o Instagram e pensei: vamos misturar tudo.

tupinambá + bentô = tupinabentô!

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A dois quarteirões da cozinha, nosso recém-prefeito iniciava sua cruzada rumo à cidade cinza-linda. Mas conseguimos folhas de bananeira ainda perenes nas beiradas do corredor da (avenida) 23 de maio. Pensamos num cardápio com comidas do nosso dia-a-dia soborô e preparamos as marmitas-bentôs.

Os Tupinabentôs foram vendidos durante o Sarau com regras especiais: havia um preço sugerido, mas você poderia depositar o valor que pudesse ou quisesse em uma caixinha sigilosa ao fundo da mesa. Havia também a modalidade Tupinabentô-suspenso, onde podia-se comprar Tupinabentôs para serem compartilhados com vizinhos moradores de rua.

No dia seguinte, os Tupinabentôs foram compartilhados com alguns dos nossos vizinhos, que não souberam, não foram convidados ao Sarau e não compareceram. (imagens com autorização)

Arte e assistencialismo: mezzo água, mezzo óleo.

Tupinabentô #1: Curry pseudo-indiano
Tupinabentô #1: Oniguirí da casa

Essa receita é um pouco mais enrolada @a.mor_ales, mas o bicho é bom e vai aqui uma versão da mamma: lavar tudo junto duas xícaras de motigomê (é um arroz especial pra fazer motí que fica mais grudento que o gohan normal / tem em qualquer mercadinho japa, + uma xícara de arroz branco tipo japa. Escorrer e deixar reservado enquanto vc pica os outros ingredientes beeem picadinhos: meia xícara de cenoura + meia xícara de bardana (gobô) + meia xícara de tikuwá ou kamabokô (é aquela salsichinha de massa branca de peixe com buraco no meio ou o de miolo rosado). Dá pra colocar algum cogumelo tipo shitake também. Passar rápido esse picadinho na frigideira com um pouco de óleo + meio pacotinho de hondashi (é aquele tempero japa à base de peixe) + uma pitada de sal + uma colher de sopa de hijiki (é uma alga japa preta minúscula – esse ingrediente não pode faltar porque é o coração desse bolinho, que dá o sabor e a coloração meio marrom! mas é fácil de achar também no mesmo mercadinho. Daí vc mistura esse refogado no arroz que está reservado, adiciona três xícaras de água e cozinha como arroz normal. O mais fácil seria meter na panela elétrica e pronto. Como a minha está quebrada, costumo cozinhar o arroz no fogo médio com a tampa quase fechada até a água secar totalmente, desligo e deixo mais vinte minutos com ela bem tampada. Mas há zilhares de variações no procedimento… Bom, com o gohan pronto, vc pode fazer os bolinhos na munheca ou usar aquelas forminhas próprias de oniguiri vendidas nesses mesmos mercadinhos japas. Esse bolinho de arroz se chama “hijiki gohan” (ou arroz cozido de alga hijiki). Detalhe: em japoneis, arroz cozido é “gohan” e arroz crú se chama “komê”. Então quando criança, vc aprende que não come komê, só gohan ou Tio João porô-porô 😵😜 #Tupinabentô

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Tupinabentô #1: Pudim de tapioca com banana
so-so eng?