menas (2013-17)

menas

2013 – 2017. Instalação.

Guache e bordado sobre papéis sanfonados, caixas de produtos de limpeza e alimentos, estórias, spray à base d´água e tecidos.

menas: testando formas de exposição das sanfoninhas em casa.

Existem muitas maneiras de se compartilhar a história de um projeto. Ou melhor, de algo que foi se materializando como projeto aos poucos, sem definições a priori.

Ali por 2013, completando dez anos de circuito (de arte contemporânea tupiniquim), estava me questionando se seguiria trabalhando naquele território, pensando sobre a validade daquilo e o que estava fazendo ali. Meu tempo interno não sincronizava com o entorno. A saída não era seguir produzindo para exposições e feiras ou participando de vernissages e empreitadas curatoriais do circuito.

Um tanto cansada daquele ambiente e após um período sabático que contou com um reencontro às origens na perifa de São Paulo, fui vender brigadeiros.

Dessa experiência, e isso foi no limiar do acirramento da crise econômica, consegui mais-valia suficiente para viajar à Istambul e visitar uma bienal foda, Saltwater – A Theory of Thought Forms (ou água salgada).

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O retorno disso foi retomar a prática de ateliê, compromisso só comigo.

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Vieram a Zika e uma sucessão de sanfoninhas, centenas delas ao longo de alguns anos, tentando lidar com a realidade surreal que a gente passou a viver, como a noite em que a garota ao seu lado na manifestação de rua perde um olho – e você quase – por tiro de borracha da PM; depois disso voltar para casa, desligar a Globonews e sentir o alívio de poder enxergar a mesa do ateliê, mesmo com receio do barulho dos helicópteros.

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Foi quando caiu a ficha que era hora de voltar ao campo de jogo. Bem verdade que esta é uma versão simplificada – como todas -, mas foi assim que, entre outras, nasceu Menas.

Inoculadas. #Menas

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sp-arte 2017

A apresentação da prévia de Menas na SP-Arte de 2017 rendeu a premiação de uma bolsa de residência na Delfina Foundation em Londres – e uma nova janela: Pasargada, Pasargada (2017-?).

exposição Menas

Entre agosto e setembro de 2017, finalmente Menas compartilhada na velha e parsa Galeria Marcelo Guarnieri, em São Paulo.

Texto de divulgação da mostra:

 

Um convite para “Menas”

A pintura, no trabalho de Alice Shintani, é entendida como ponto de partida para imaginar e exercitar formas de aproximação com o outro. A individual apresenta a produção dos últimos quatro anos de Shintani, que propõe uma abordagem menos especializada da tradição da pintura e história da arte para refletir sobre o estado das coisas no presente, tanto dentro quanto fora do circuito artístico. Essa reflexão, de maneira mais ampla, é uma reflexão sobre as possibilidades da experiência estética: como ela se constrói, onde e como podemos acessá-la. Defendendo a ideia de que tal experiência existe para além do campo da arte, ou seja, também no espaço cotidiano, Shintani transita entre contextos diversos, da galeria de arte ao depósito do mercadinho de bairro, reunindo em seu trabalho as questões geradas por essas vivências.

“Menas”, palavra que dá título à exposição, pode ser utilizada tanto como o feminino da palavra “menos” dentro de uma linguagem coloquial, quanto como expressão que denota ironia a algo que está sendo superestimado. Ambos os sentidos nos ajudam a adentrar o universo que Alice Shintani constrói em torno de suas pinturas, agora materializadas em papéis sanfonados e tecidos.

A mostra apresenta a instalação homônima, composta por cerca de 300 Sanfoninhas que, ora são acondicionadas em caixas de acrílico, ora são montadas sobre caixas maiores de papelão de produtos alimentícios e de limpeza – de origem brasileira e asiática. As caixas ocupam toda a sala principal da galeria, em conjuntos que se organizam de maneiras diversas, atingindo alturas que também variam, proporcionando ao espectador uma experiência imersiva.

“Menas” é uma mostra que convida a refletir sobre as ideias de movimento, elasticidade, alcance: seja do corpo e das caixas pelo espaço; das “Sanfoninhas” que se contraem e expandem revelando cores e formas distintas; dos tecidos que chacoalham com o vento, ou até mesmo da própria ação da artista, interessada em diminuir as distâncias e significados entre os gestos poético e político.

(Galeria Marcelo Guarnieri, agosto de 2017)

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